João Ventura
Algures, nesta edição de Atlântica, há um poema,
belíssimo, de Nuno Júdice, onde o poeta persegue a linha imaginária dos rios que levam a um mar que não tem portos nem barcos.Também as águas em que navegamos em cada edição de Atlântica são como fios, azuis, que estendemos entre as margens oceânicas para nos reencontrarmos, uns e outros, no outro lado de nós. Por isso, embora a revista seja também um exercício de curiosidade em relação ao outro lado do mundo, como se dizia no manifesto inaugural, o que se procura, sobretudo, são aproximações, cruzamentos de linhas de sentido que dão densidade ao mar atlântico onde se espelha
a nossa alma comum. E são muitos, já, os fios azuis que nos levam nesta corrente atlântica, esenhados desde geografias diversas por mãos cúmplices de um projecto editorial que se vai fazendo a partir da periferia para o mundo.
Há, portanto, um lugar de partida para cada fio
azul que se estende em Atlântica.
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