«Portugringo, white bird»
Onésimo Teotónio Almeida
Um pouco como Colombo, dei com a Hispaniola por mero acaso, mesmo sabendo eu que não ia aterrar na Índia. Era Janeiro branco na Nova Inglaterra, neve alta e, embora a cabin fever só apertasse lá para Fevereiro, urgiu-me por dentro ir de abalada derreter o espírito enquanto recauchutava a pele. O boletim meteorológico anunciava mais um nevão e that was it! Agarrei do telefone e, minutos antes de a agência de viagens fechar, implorei dois bilhetes para o sol na manhã do dia seguinte, antes da chegada de mais neve. Os computadores eram ainda lentos nessa altura, mas as escolhas também não abundavam numa urgência assim e, por isso, em menos de um quarto de hora a Charlene telefonava com a solução: Caraíbas, Santo Domingo. Saída de Boston às sete da matina. Nem houve tempo
para dormir, quanto mais para ninharias como essa de tomar conhecimento de que um não-cidadão americano com passaporte português (eram eras de pré-dupla cidadania) necessitava de visto.
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