«Retrato de Juanito Rulfo»
Mempo Giardinelli
Conheci Juan Rulfo nos anos do meu exílio no México e posso dizer que fomos amigos. Na realidade, foi ele que me honrou com o seu afecto, quando eu era muito jovem e ele era já um escritor consagrado, avesso à celebridade e com fama de
intratável. Demo-nos desde finais dos anos 70 até à sua morte em 1986: encontrámo-nos para conversar todas as sextasfeiras, durante cinco anos, e mantivemos longas conversas peripatéticas pelas ruas do México e de Buenos Aires.
Juanito, como lhe chamávamos, distinguiu-me nos seus últimos anos de vida com uma generosidade e um alento enormes e constantes.A nossa amizade
não foi estritamente literária, foi sobretudo vital, como me aconteceu com outros velhos escritores, grandes pela sua literatura mas sobretudo pela sua sabedoria, vitalidade e coerência. Porque há que ser muito grande para sê-lo e que não se note, não incomode e não esmague.
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