Douro, José Manuel Fajardo
«Douro»
José Manuel Fajardo

Há um silêncio de igreja no bosque. A furgoneta branca, amparada pelos ramos de um pinheiro majestoso, confunde-se com a neve que cobre as ladeiras dos Picos de Urbião. Não se pode avançar mais, o caminho é intransitável e à frente do carro só se vêem as pegadas do fotógrafo e outras mais pequenas, à beira do caminho, que parecem de casco de corço. Que procuram dois jornalistas e um cozinheiro em plena serra de Sória, debaixo de neve, nesta manhã cinzenta do primeiro frio invernal? A resposta parece simples: a nascente do rio Douro.
É um velho projecto. Há muito tempo que Mitxel Vega, um palentino robusto radicado há mais de trinta anos na Biscaia, proprietário e cozinheiro do restaurante Egoki, sonha descer o rio Douro, desde os picos onde nasce até à foz, no Porto.
Essa viagem é também a descida de um rio paralelo de vinho, ao longo de quase mil quilómetros, onde se oferece ao paladar o carácter dos néctares da Ribera del Duero, Rueda,Toro,Tierra de Vinos, Los Arribes, Douro e Porto.Vinhos e gastronomia das terras de dois países unidos pela corrente do Douro, em torno da qual se enlaça também a vida dos seus habitantes.
Mas como todos os desejos, ao tornar- -se realidade, este sonho viajante tem as suas surpresas e dificuldades. A primeira está aqui, no meio desta paisagem coberta de neve: é impossível encontrar a nascente do rio. A pequena bacia dos Picos de Urbião alimenta-se de uma infinidade de riachos, arroios e cascatas que acabam por formar um leito, sem que se possa determinar qual deles é o principal...

Leia o texto integral na Atlântica nº5