«Pancho regressa ao mar»
Volodia Teitelboim
Seu pai, capitão de baleeiro, afirmou no
momento da sua morte: «Voltemos ao mar.».
Quando chegou a hora do filho, este utilizou a
mesma expressão paterna: «Voltemos ao mar.»
Numa segunda-feira, 5 de Agosto de 2002,
despediu-se secretamente de sua mulher Eliana.
Transmitiu-lhe também a sua última vontade: não
digas a ninguém que morri, espera dois dias.
Então, cremem-me discretamente. Em seguida, tal
como meu pai, regressarei ao mar.
Sempre regressou ao mar o mais anfíbio dos
escritores chilenos, com um pé na terra e outro na
água. Renova-se o ciclo da natureza que esse autodidacta
amava e que converteu, muitas vezes, em
alegorias espantosas. Da sua ilha natal de
Quemchi, até Cabo de Hornos e à Antárctida contemplava
o coirón1, o pasto das estepes magalhânicas,
mas também fixava os olhos nos astros...
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